Monday, October 17, 2005

O Dia do Despertar

Com o aproximar de mais um acto eleitoral regressa à mesa do debate, uma vez mais, o discurso tenebroso do fim anunciado deste sistema político e da descredibilização da actividade política no geral.

Ora já não bastava a difícil situação em que o País se encontra para aumentar as dúvidas do eleitor e tinham agora que (re)introduzir a fantochada, que alguns perseguem com regularidade, que consiste na distração e nas manobras de diversão junto do eleitorado para desviar a sua avaliação do que é realmente importante!

E a culpa é da política... Esta política que se faz em Portugal e que parece não trazer nada de novo aos Portugueses a não ser a desilusão em si.

E o que fazemos?

Como tudo em Portugal metemos a cabeça na areia e esperamos que alguém ou algo(?!) resolva o que queremos que deixe de ser. Não apuramos responsabilidades, não procuramos responsáveis. É só mais uma axa que mandamos pela janela sem querer saber da sua consequência, sem nos apercebermos que estamos a atear um incêndio que pode tomar enormes proporções (dejá vu?), um incêndio que pode arder com a estrutura da Democracia que tanto queremos para o nosso País.

E que respostas?

Como tudo na vida, para evoluir é preciso compreender com o que é que nos deparamos. É preciso sair da negação e enfrentar a realidade, essa dura realidade que nos obriga a olhar para nós próprios e perguntar-nos porque é que a política em Portugal aparenta não funcionar.

E os responsáveis?

São dois.
Em primeiro lugar a responsabilidade cai sempre sobre o elemento base da pirâmide cívica e social: o cidadão.
O cidadão é responsável porque pede mais participação cívica mas não participa. Porque vota para entrar e sair mas não exige. Porque elege sob o fatalismo do máximo denominador reduzindo o resultado final da fracção. Porque se acomoda, terrivelmente incomodado. Porque é profissional mas permite part-time no seu Parlamento!!!!

Em segundo lugar o pseudo-político.
Ele é responsável porque não compreendeu o que deveria estar na base da sua acção: o seu sacrifício pessoal pela causa pública. Porque não compreendeu que a Sociedade não exige um Profissional exclusivo mas exige dedicação. Porque não compreendeu que ao tentar enganar o Eleitor só está na realidade a contribuir para a mediocridade, que, eventualmente, o arrastará também (enganando-se a si próprio).

Esta situação é insustentável... Político e Cidadão têm de se (re)encontrar.

Por isto acredito que o Dia do Despertar está a chegar!

[Luís Newton]

2 Comments:

Blogger Ricardo Baptista Leite said...

Antes de mais, agradeço ao Luís Newton pelo contributo que deu escrevendo este texto para o "Quo Vadis JSD?". É a resposta ao apelo que lancei a todos que queiram participar neste debate e que se mantém intacto.

Relativamente ao tema abordado, embora não seja exclusivo da JSD, decidi que se enquadrava perfeitamente no espírito deste Blog. Não se pode falar em militância sem falar em Cidadania e vice-versa.

A cultura de participação cívica e de promoção da formação para a cidadania são raras e compete, em primeira-mão, às juventudes partidárias o papel de as fomentar. Os militantes da JSD têm esta obrigação e podem cumpri-la nos núcleos residenciais ou secções, incutindo um espírito de serviço para a comunidade nos seus pares e até ao nível dos órgãos nacionais propondo às entidades competentes medidas concretas que visem esta reforma cultural - quer nas escolas, quer no seio das Famílias.

Espero que este tema possa ser largamente debatido ao longo desta semana; debate esse no qual pretendo também participar.

10:10 AM  
Anonymous Nuno Piteira Lopes said...

Luis, parabens pelo teu texto, que reflecte uma real preocupação sobre a situação actual. Concordo com as tuas ideias e com a globalidade do texto, até mesmo quando a determinada altura tu dizes: "Em primeiro lugar a responsabilidade cai sempre sobre o elemento base da pirâmide cívica e social: o cidadão" também o contrário se verifica, ou seja ... o exemplo vir do próprio Presidente da Républica.
Vejamos a seguinte situação:
O nosso Presidente da Républica, deslocou-se ainda há bem pouco tempo à Venezuela, para falar com o seu homologo e solicitar-lhe a melhor atenção e rapidez para com um nosso cidadão que está preso preventivamente (e acusado) há cerca de um ano.
Alguem já viu o nosso Presidente preocupar-se de tal forma para com as centenas ou milhares de cidadãos portugueses que estão presos preventivamente (alguns sem sequer estarem acusados)há muito mais tempo, e a justiça portuguesa nada faz para resolver a situação. Será que o cidadão que está na Venezuela votou no Dr. Jorge Sampaio e os outros todos não foram votar???

Npl

11:41 AM  

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