Thursday, October 05, 2006

“Mulheres ao poder”… Mas por mérito próprio...!

Caros amigos,

Segue um texto da autoria da companheira Dulce Alves de Alcobaça. A perspectiva de uma mulher sobre um tema ainda polémico... Quotas para Mulheres?!
Ricardo Baptista Leite


"A revolução de 25 de Abril que se comemora esta semana, e a consequente aprovação da Constituição da República Portuguesa de 1976 (que este ano perfaz 30 anos) criaram as condições jurídico-políticas para que todas as portuguesas, sem excepção, obtivessem o pleno direito de votar e de serem eleitas para cargos políticos. Contudo, e volvidas mais de três décadas, a representação feminina no seio do mundo político permanece muito baixa, o que leva a crer que este princípio de igualdade formal consagrado constitucionalmente, não tem tido plena correspondência na realidade, pelo menos no que toca à vida política. Esta questão tem sido abordada ao longo dos tempos, mas voltou à ribalta nos últimos meses com o projecto de Lei da Paridade do PS e três diplomas do BE que foram aprovados a 30 de Março, o que significa que daqui em diante nas listas de candidatos – para as eleições parlamentares, autárquicas e para o Parlamento Europeu – terá de haver um terço explícito de mulheres, sendo rejeitadas as listas que não o cumprirem.
A denominada lei das “quotas” não é consensual, como seria de esperar. Os defensores deste mecanismo apregoam as maravilhas que ele teve ao ser adoptado em países nórdicos. (Mas na verdade, o que existe em países como a Noruega ou a Suécia é um acordo entre partidos, não uma lei de quotas. Já em França - e creio que também na Bélgica -, existe uma lei de quotas semelhante, mas o seu incumprimento resulta em multar os partidos, não em impedi-los de concorrer às eleições...)
E depois, há as vozes do ‘contra’, como o é a minha. Antes de mais, enquanto democrata, assusta-me o facto desta lei desprezar uma das regras basilares da democracia: a igualdade dos cidadãos face à lei e a sua não discriminação em função da raça, do sexo, da cor ou de qualquer outro critério. Nem a desigualdade da mulher no que respeita à vida política deve ser pretexto para abrir uma excepção ao princípio constitucional da igualdade perante a lei e da dignidade dos cidadãos homens ou mulheres. Até na Argentina (país terceiro mundista, saliente-se) esta imposição das quotas foi considerada inconstitucional pelo respectivo Tribunal.
Esta medida não passa, a meu ver, de um subterfúgio artificial que continua a subalternizar a mulher. Enquanto mulher (e enquanto jovem autarca) sentir-me-ei profundamente envergonhada se um dia vier a ocupar um lugar na política por causa de uma obrigação legal, decorrente da minha condição inimputável de “ser mulher”. Pairará sobre todas as mulheres que venham a ingressar no universo político, o anátema de terem sido eleitas à custa dos procedimentos legais e administrativos e não por mérito e capacidades pessoais. As mulheres passarão a estar na política apenas para cumprir quotas, apesar de constituírem mais de metade da população europeia e de se concluir que estão melhor preparadas academicamente (dois terços das portuguesas são licenciadas).
Os homens, esses, não conseguem perceber que a baixa representatividade feminina nos cargos políticos não se deve somente à desmotivação das mesmas pela coisa pública. Importa ter em conta o acesso ao espaço político: é inegável que a desigual partilha de responsabilidades entre homens e mulheres no foro doméstico, com prejuízo para elas, tende a ter como consequência a limitação das oportunidades das mulheres no espaço público. Enquanto assim for, não há quotas que nos valham... Porque não há Super Mulheres que consigam conciliar as tarefas familiares, profissionais e sociais com as tarefas políticas. Na maioria das vezes, ou abdicam de construir família e ficam-se pelo sonho da maternidade... ou abdicam de uma actividade cívico-política. E é acima de tudo por isso, que a representatividade da Mulher na vida política não tem evoluído.
Com as quotas, o cenário vai mudar quantitativamente... mas elas só servirão para colocar mais mulheres na política, apenas por isso, por serem mulheres e “apenas” mulheres.

Dulce Alves"

36 Comments:

Anonymous Dulce Alves said...

Um comment ao meu próprio texto, apenas para o contextualizar e para o actualizar. (Ah, e um enorme obrigada ao Ricardo por ter colocado no seu blog a minha opinião sobre esta temática, cuja discussão não se deve restringir às mulheres...)


Aqui vai:

Escrevi o artigo “Mulheres ao poder!... mas por mérito próprio!” nos finais de Abril passado, pouco tempo depois da primeira versão do diploma ter sido apresentada e aprovada na AR.

Só que depois disso muita tinta ainda correu – e ainda corre! - sobre este processo.

Vejamos: Em Junho, Cavaco Silva veta a Lei da Paridade - o seu primeiro veto enquanto PR - alegando o “carácter excessivo” das sanções e a “inibição da liberdade da escolha do eleitorado”.

Em Julho, o PS apresenta uma segunda versão da Lei da Paridade, alterando apenas o regime sancionatório. Depois de ouvir as objecções de Cavaco Silva, decide substituir a exclusão das listas por um corte na subvenção estatal dos partidos que não cumpram as quotas – uma espécie de ‘multa’, portanto. O diploma com esta alteração foi aprovado na AR (curiosamente com menos quatro votos que a 1ª versão e oito abstenções do BE) e um mês depois Cavaco Silva promulga a Lei da Paridade, decisão que o PSD disse “respeitar”, apesar de discordar do conteúdo da Lei.

Poder-se-á dizer que esta Lei abre uma espécie de precedente: as leis deixam de ser uma forma de regulação e protecção dos membros de uma comunidade para passar a obrigá-los a actuar de uma determinada forma... onde é que isto irá parar??

Bem, a verdade é que por muitas vozes contra que se façam sentir, a nova lei foi promulgada e terá já em 2009 as suas repercussões - as tais multas...

E nós, mulheres, estaremos vinculadas ao tal terço... a que já ouvi alguém chamar – e bem – “um terço de vergonha”.

7:24 PM  
Blogger Ana Zita Gomes said...

Cara Dulce e Ricardo,
Li os vossos posts e não resisti a lançar mais uma acha para a fogueira. Ricardo, como sabes é com muita satisfação que leio algo sobre a participação das mulheres na política. Já há algum tempo que vesti essa camisola. A satisfação ainda é maior quando, neste caso, é uma mulher jovem com funções políticas que escreve um texto tão interessante. E por isso espero, Dulce, que continues com essa determinação e que não a deixes de colocar ao serviço do próximo – conforme fazes actualmente (disseste que eras autarca). Subscrevo inteiramente as tuas reflexões sobre o facto de a mulher somar funções se quiser ter uma vida cívica activa. Devia somar mas também dividir.
Concordando com a maioria das tuas afirmações - admito que no passado já fui partidária de todas elas - hoje penso de forma um bocadinho diferente sobre algumas.

A participação das mulheres na política:

De facto, é uma realidade inegável que os cargos dirigentes nos partidos políticos e os cargos públicos são maioritariamente ocupados por homens. Embora estes não sejam proporcionais à militância feminina que representa no fundo a participação política.
Também é verdade que são as mulheres que estão em maioria nas universidades. O que não reflecte, por exemplo, a sua participação no dirigismo estudantil ou nos órgãos directivos dessas mesmas universidades. Assim como nas juventudes partidárias: não existem muitas mulheres dirigentes. E com isto derrotei um dos meus argumentos que há muito sustentava a tese, que defendia, de que a participação das mulheres na política era uma questão geracional. Que naturalmente, e já que não existiam impedimentos de ordem moral, o equilíbrio surgiria como tem acontecido em tantas outras áreas da sociedade. Hoje penso de forma diferente. Não acredito nessa naturalidade. Talvez porque conheça um pouco da esfera política. Expliquem-me por favor, como é que é possível que mulheres ocupem cargos públicos se as cúpulas partidárias são ocupadas quase só por homens? E porque, como deve tornar-se claro, são na grande maioria os dirigentes partidários que ocupam esses mesmos cargos. Por isso, considerando a maior participação das mulheres na vida pública um factor de civilidade e desenvolvimento social penso que tem de existir um impulso que neste caso representa a tão mal- falada discriminação positiva. Assumir a diligência de equilibrar em género não me parece de todo uma menorização da mulher. Devemos assumir sem vergonha que estivemos muito tempo em desvantagem. E isso ainda se reflecte hoje… também, ou principalmente, na política!

Discriminação Positiva e Sistema de Quotas:

Conforme disse anteriormente, durante muito tempo discordei do tema Quotas! Principalmente, «porque as mulheres não precisam disso para se afirmarem! Chegam lá pelo seu mérito!» Mas o contacto com a realidade mostrou-me o outro lado da questão. Sinceramente, não senti a tendência a inverter-se como eu achava que deveria acontecer. E não quero culpar ninguém. Nem homens nem mulheres. Isso é um disparate. Mas a verdade é que para inverter esta tendência é necessária uma motivação extra de todos. Se algo não acontece naturalmente temos de recorrer a um mecanismo externo a fim de corrigir essa desigualdade. Também discordo da existência de uma quota legal, da obrigatoriedade, das multas. Mas concordo inteiramente com a existência de uma discriminação positiva que impulsione os partidos a integrar mais mulheres nos seus quadros dirigentes. Preferiria uma quota informal, no interior dos partidos, ou para quem não gosta do termo poderíamos chamar-lhe um compromisso. Porque é dentro dos partidos que a situação tem de ser alterada. Reparem: muito se discutiu sobre o assunto devido à nova legislação. E antes, alguém fez alguma coisa para melhorar a situação? No meu partido, que é contra as quotas, a situação até piorou! O número de mulheres eleitas na Assembleia da República, pelo PSD, diminuiu nas últimas eleições. Por isso os argumentos não abundam. E, verdade seja dita, que na altura da composição das listas há a preocupação, para desconforto de alguns – os tais-, de equilibrar em género as listas. «Aqui tem de se pôr uma mulher.», afirmam. Sim, porque há a consciência de que não podem ser só homens. Não estará esta atitude, então, a menorizar a condição feminina? Mas isto acontece. E acreditem, mesmo sem quotas e salvo excepções – para mulheres já afirmadas politicamente, portanto inquestionáveis – o estar por mérito nunca esteve garantido. E já agora, quem disse que os homens estavam todos por mérito? Alguém questiona? Haverá sempre alguém que lembrará que naquele lugar «tinha de ser uma mulher», para justificar o sucedido. Mas isso passa-lhes. Principalmente depois de outra nova fase: a prova. Provar que tem mérito. E se assim foi nunca mais ninguém se lembrará que naquele lugar «tinha de ser uma mulher».
E isto tudo, para dizer que mesmo que provisoriamente, mesmo que só como impulso inicial alguma coisa teria de ser feita. E tudo poderia ter ficado confinado ao “esforço” e ao empenho internos dos partidos. Mas assim não foi. Por culpa dos próprios partidos que não souberam ou não quiseram inverter a tendência. Existem mulheres com mérito e penso que ninguém duvida disso. Devem ser chamadas a participar e não só para integrarem listas.

Da minha experiência pessoal deixo-vos umas notas, só para clarificar: nunca me senti discriminada no meio político por ser mulher. Mas assumo que existem dificuldades acrescidas, principalmente a nível pessoal. Ocupei cargos dirigentes na JSD Nacional sem ter nunca sido indicada para tais por uma estrutura descentralizada. Se assim fosse acho, e com alguma certeza, que nunca os teria desempenhado. Foi por reconhecimento pessoal e posteriormente por acharem que poderia continuar a ser útil. No fundo, sinto que tive uma oportunidade e fui desafiada. E por essa oportunidade, desafio sempre que posso outras mulheres. Sinto que tenho essa responsabilidade. Não embarquem na conversa da menorização. Esta é a lei que temos agora. Também a mim me irrita a quantificação pura e simples. Mas pensemos de forma construtiva: ainda muito se pode fazer para chamar mulheres com qualidade para a política. Já agora, homens com qualidade e mérito também. Desculpem, mas é que ninguém fala disso… Renegar a lei, nada fazer e apenas procurar mulheres em vésperas de eleições para preencher listas é que não me parece o melhor para a condição feminina, para os partidos e para a democracia portuguesa. Podemos não subscrever a lei mas não percamos de vista o principal: maior participação das mulheres para um melhor sistema democrático.
E Quotas há muitas, como sabem... Envolvam-se, envolvam outras.

Desculpem-me, sei que escrevi demasiado. E acreditem que continuava…

5:02 PM  
Blogger Cunilingus said...

Ricardo, Zita e Dulce

De facto deve ser mais difícil ser uma mulher na política que ser um homem. (disse “deve” porque obviamente sou do sexo masculino e nunca estive na pele de uma). No entanto, uma coisa é verdade, esta dificuldade existe na política, entre outras coisas, porque:
1. As reuniões são até às tantas;
2. temos de correr as capelinhas todas;
3. temos de cair e tronar a levantar, tornar a cair e tornar a levantar;
4. somos alvo de críticas permanentes;
5. somos permanentemente objecto de inveja;
6. Damos e recebemos uns berros de vez em quando;
7. Aturamos conversas de malta chata e temos de manter um ar de interessado;
8. Por fim temos de encarar tudo isto com um sorriso natural e continuar a lutar.
Perguntam:
Mas em que é que isto pode ser mais difícil para a mulher?
Eu explico:
1. Com os miúdos em casa é mais complicado (ainda vivemos numa sociedade que o que é incutido à mulher é que ela tem de ter filhos e cuidar deles);
2. A mulher que tem sucesso, ou é feia e é muito competente, ou é bonita e subiu deitada (este comentário surge na carreira de qualquer mulher bonita do PSD, ou JSD, desafio uma qualquer a dizer o contrário....bem se o disser é porque não sabe o que a malta da sua secção diz dela)
Na realidade a dificulte parte da mulher, isto porque, ou ela liga a isto e deixa-se atrofiar, ou continua a lutar e tenta vencer. Os homens têm outros problemas, sim porque quando se quer dizer mal é fácil
Estamos a falar de política, estamos a falar de um meio extremamente agressivo, só cá anda quem quer, homem ou mulher.
As cotas são um insulto à Mulher!
(claro que há a parte boa, mas isso fica para outro post)

9:45 PM  
Blogger Dulce Alves said...

Cara Ana Zita,

que bom teres partilhado connosco a tua opinião sobre este tema!

Como bem disseste, lançaste umas “achas para a fogueira”... que a meu ver vieram proporcionar uma discussão saudável e interessante aqui no blog do Ricardo. E por falar em Ricardo, desafio-o a deixar aqui a sua opinião sobre o tema, porque não sei até que ponto ‘subscreve’ o meu texto... ;)

Quanto às tuas “achas para a fogueira”, eis a minha (sempre modesta) opinião:

• Dizes já não acreditar que a maior participação das mulheres na politica se processe de uma forma natural. Compreendo em parte essa tua mudança de opinião. Um simples olhar sobre a evolução da representatividade das mulheres na política nos últimos tempos deixa qualquer um descrente.
Contudo, eu (uma eterna optimista) não perdi a esperança de que um dia as mulheres vão dominar os cargos políticos. Primeiro, porque as mulheres do séc.XXI cada vez mais ocupam cargos de chefia em grandes
empresas e funções de liderança a muitos outros níveis. E isto são dados indiscutíveis. Daqui até à política, creio que pouco faltará.
Podem adjectivar-me de sonhadora, de ingénua... e por aí fora. Mas é nisto que acredito. O que muito provavelmente se deve ao facto de estar rodeada destes (excelentes) exemplos: no plano do associativismo estudantil, a Associação de Estudantes da minha faculdade - Fac. de Direito da Universidade Nova de Lisboa – tem sido presidida por mulheres nos últimos dois mandatos. Quanto ao plano político-partidário, a Comissão Política da minha Secção da JSD (Alcobaça) tem, em doze elementos, sete mulheres: uma como Presidente, duas Vice-Presidentes e as restantes quatro são vogais.
Estes dois exemplos concretos, cuja realidade eu conheço de perto, fazem-me acreditar que as mulheres são o futuro (não digo imediato... tudo leva o seu tempo...) na política, nas empresas e em tantas outras áreas da sociedade.

• Do teu comentário, deduzi que as quotas, enquanto “discriminação positiva” são para ti uma “espécie de mal que vem por bem” - e perdoa-me se a interpretação que fiz, neste ou noutro caso, não é a mais correcta.
Eu cá não consigo ‘digerir’ este conceito de “discriminação positiva”... Para mim a palavra “discriminação” só por si é pejorativa, não abarca nada de positivo... ponto.
A imposição das quotas é isso mesmo, uma discriminação, em tudo o que de negativo cabe nessa palavra.
Pior que isso, é que é um contra senso levar a cabo uma discriminação em nome da “igualdade”...

• Falaste da necessidade da motivação extra por parte de todos para que se inverta esta desigualdade. Eu achava ( mas aqui tu estás bem mais a par da realidade do que eu...) que no seio dos partidos se fazia já um esforço para atrair o sexo feminino à política, mais não fosse para dar uma imagem de “partido-na-senda-da-modernidade-que-dá-voz-a-esses-seres-muito-uteis-para-tirar-cafés-e-fotocópias-que-são-as-mulheres”... ...
Acreditava ainda que, mais cedo ou mais tarde, os homens se aperceberiam das capacidades (e naturalmente que não me refiro à habilidade em tirar cafés e fotocópias...) e sensibilidades mais apuradas de uma mulher; e das mais valias que ela pode trazer à actividade política.

Mas agora, que a igualdade nos vai ser imposta através das quotas, assistir-se-á a um verdadeiro “desmérito” das mulheres...
Agora já não precisam de mostrar o que valem, não tem que dar provas do seu mérito nem das suas capacidades... Podem relaxar, acomodar-se, podem limitar-se a tirar cafés e cópias, porque quando chegar a hora de ‘encher’ o terço das listas eleitorais... o “lugarzinho” está lá guardado para elas.

E é isto que me deixa profundamente revoltada. Porque sou mulher, porque sou autarca e porque encaro como uma espécie de missão de cidadania a minha actividade político-partidária... vai ser extremamente revoltante chegar a época eleitoral e dar-me conta de que, com ou sem mérito, com ou sem capacidades, com ou sem vontade... eu e mais um punhado de mulheres, estaremos ‘lá’.


E acho que já me alonguei demasiado, mas tal como a Ana Zita... ficaria a escrever sobre isto até não poder mais...



Um último apontamento, relativo ao comment de Cunilingus:

Não tenha dúvidas, é MESMO dificil ser mulher e estar ligada à política. Não o digo por experiência própria, porque sou bastante jovem e ainda não tenho grandes responsabilidades ao nível pessoal/profissional.

Mas a verdade é que como escrevi no artigo, não há Super-Mulheres. Conciliar responsabilidades familiares com reuniões até às tantas, compromissos profissionais com tarefas de índole partidária, etc etc... só me parece possível no dia em que poderes como a omnipotência e a omnipresença deixem de ser estritamente divinos..!!
O que me deixa um pouquinho mais descansada é que a pouco e pouco o cenário vai mudando... e a democratização das tarefas domésticas e das responsabilidades familiares parece que chegou para ficar!!!

Quanto à teoria que perfilha e que descreve na frase: “A mulher que tem sucesso, ou é feia e é muito competente, ou é bonita e subiu deitada” ... onde raio coloca você a mulher bonita e simultaneamente competente??!! Não ousa pensar que não as há, pois não? Assim espero.

12:05 AM  
Blogger Cunilingus said...

Dulce
Há e namoro com uma.
Essa frase apenas reflecte a ideia que a sociedade tem da mulher que faz política.
Este problema resume-se facilmente:
Os problemas que as mulheres têm na políca são da sua inteira responsabilidade, ou porque se deixam ir abaixo com comentários maldosos, ou porque se deixam controlar pela tradição cultural.
Falta apenas uma coisa... Na realidade a culpa também é dos homens. Por exemplo, quando um vice-presidentes indica a "amiga" para vereadora de determinado municipio, quando esta nunca demonstrou competência dedica-se apenas a fazer oposição ao Presidente da camara(para não identificar nomes vou fingir que não estou a falar de lisboa e do PSD).
Perguntas: Mas nomeações dessas não há só de mulheres, tens razão esse mesmo vice-presidente foi indicado para as águas de portugal pelo seu presidente(enquanto era ministro dos asuntos parlamentares e não ficou lá)...Porquê? Epá não foi por ele ser um excelente gestor de certeza.
Mas sabes uma coisa, a amiga que foi indicada (pela cota do vice-presidente da Nacional) vai viver com esse carma, a não ser que comece a trabalhar com qualidade e demonstre que está lá porque de facto é competente(num ano de mandato já ninguem comentava isso nos corredores da política se ela fosse competente).
Há outros exemplos, por exemplo a indicação da JSD no ultimo mandato, a ana sofia, nunca viu o seu nome tratado dessa maneira(apesar de ser vereadora do santana)...Porquê? Não era por ser feia...era porquê? Se calhar porque tinha mérito, não?
De quem é a culpa? da mulher, do homem, ou das más linguas? epá não sei, só sei que a política não é para qualquer um e infelizmente quem cá anda sujeita-se a este tipo de coisas. Perde quem desiste.

1:35 PM  
Anonymous Anonymous said...

This comment has been removed by a blog administrator.

2:21 AM  
Anonymous Anonymous said...

This comment has been removed by a blog administrator.

7:44 AM  
Anonymous Anonymous said...

This comment has been removed by a blog administrator.

5:11 PM  
Anonymous Anonymous said...

This comment has been removed by a blog administrator.

1:05 PM  
Anonymous Anonymous said...

This comment has been removed by a blog administrator.

2:05 PM  
Anonymous Anonymous said...

This comment has been removed by a blog administrator.

11:32 PM  
Anonymous Anonymous said...

This comment has been removed by a blog administrator.

7:38 AM  
Anonymous Anonymous said...

This comment has been removed by a blog administrator.

6:29 PM  
Anonymous Anonymous said...

This comment has been removed by a blog administrator.

10:08 PM  
Anonymous Anonymous said...

This comment has been removed by a blog administrator.

3:56 PM  
Anonymous Anonymous said...

This comment has been removed by a blog administrator.

3:42 AM  
Anonymous Anonymous said...

This comment has been removed by a blog administrator.

6:50 PM  
Anonymous Anonymous said...

This comment has been removed by a blog administrator.

2:41 AM  
Anonymous Anonymous said...

Hi, nice site.
visit smoking stop
http://stop-smoking-aid.batcave.net/smoking-stop.htm smoking stop
Thanks.

12:40 AM  
Anonymous Anonymous said...

Hi, Dear All!
[url=http://wikkimikki.fortunecity.com/msg001.htm]levitra[/url]
levitra

Thanks.

10:12 PM  
Anonymous Anonymous said...

Hi Cool site.
buy [url=http://tuoppi.oulu.fi/kbs-bin/readbeer?Nr=626]viagra[/url]
http://tuoppi.oulu.fi/kbs-bin/readbeer?Nr=626#viagra online
Bye.

3:17 AM  
Anonymous Anonymous said...

Hi, good design. Look at my site.
buy [url=http://www.rhodesschool.com/blogcomments/default.asp?blogID=23193]phentermine[/url]
http://www.rhodesschool.com/blogcomments/default.asp?blogID=23193 phentermine
G'night

7:39 AM  
Anonymous Anonymous said...

Hi all, nice design.
Look at my site [url=http://viagra-store.info/]viara[/url].
Here you can buy http://viagra-store.info#viagra best.
thanks a lot.

12:55 AM  
Anonymous Anonymous said...

How do you do?, interesting.
Look at my site [url=http://www.jahk.org/forum/topic.asp?TOPIC_ID=113]viagra[/url].
Test http://www.jahk.org/forum/topic.asp?TOPIC_ID=113#viagra online.
G'night.

1:58 AM  
Anonymous Anonymous said...

How do you do !
- www.blogger.com f
samsung ringtone
motorola ringtone
sony ericsson ringtone
nokia ringtone

6:58 PM  
Anonymous Anonymous said...

dolcefareniente.blogspot.com

4:08 PM  
Blogger Marta said...

Sobre o tema em discussão escrevi o seguinte post em setembro de 2006:

http://psicolaranja.blogspot.com/2006/09/o-mrito-tornou-se-um-critrio-obsoleto.html

e um artigo em Fevereiro deste ano, num jornal local de Felgueiras, que passo a transcrever na íntegra. Apesar de achar que já aqui tudo foi dito e debatido sobre o tema, não posso demitir-me de deixar o meu contributo sobre uma questão que me é cara.

"A ideia das quotas para mulheres, confesso, não me agrada. A primeira coisa que me vem à mente é ridicularizar o assunto e criar também quotas especiais, para homens com bigode…

Mas reconheço que os obstáculos, que apesar de uma aparente evolução social, ainda hoje se impõem ao género feminino, redundam no desincentivo e consequente afastamento das mulheres do anel de poder. E esta é uma lacuna democrática grosseira, porque 53% da população portuguesa são mulheres.

Trata-se de um problema cultural e familiar. Numa perspectiva de mudança, a implantação das quotas para mulheres pode operar uma alteração substancialmente expressiva. O fim é legítimo, quanto ao método, aparenta ser pouco digno. É que o reconhecimento da política no feminino vai mudar de critério: desbarata-se o mérito para celebrar o facilitismo partidário.

Julgo que a onda feminismo-populista*, que se vive no resto do mundo, pode eventualmente suscitar um maior interesse das mulheres pela política. Porém, a verdade é que o desencanto pelo palco político abrange grande parte da população, seja ela masculina, seja feminina e urgem instrumentos assexuados que contrariem esta inclinação, que aproximem os cidadãos da tomada de decisão.

Seja qual for o norte de cada um sobre o assunto, as quotas aí estão. Desejo que por pouco tempo e que, entretanto, sirvam para criar a tendência participativa da mulher, enriquecer o debate, a luta partidária e o serviço público, em vez de exibir simplesmente caras bonitas na fotografia e camuflar uma desigualdade, que lamentavelmente subsiste. Alea jacta est. (A sorte está lançada.)


* Angela Merkel na Alemanha, Ellen Johnson-Sirleaf na Libéria, Mirchelle Bachelet no Chile, Tarja Halonen na Finlândia. Talvez Hillary Clinton nos EUA e Ségolène Royal em França."

12:01 AM  
Anonymous JOSÉ DA SILVA MAURÍCIO said...

EXTRA: Mesmo a propósito. Divulguem ao LFMeneses, já que o PSD não tem feito nadinha de especial pelo País, DUAS coisas:

- Legalizar a Eutanásia e

- Mudar a Letra ao Hino Nacional.

PS: Sou Social Democrata com muito gosto mas, tenho dois olhos na cara.

FIM DO EXTRA.

E agora,

Olá Blogger. Vamos criar um movimento de Bloggers para mudar a LETRA DO HINO NACIONAL?!

http://www.portugal.gov.pt/Portal/PT/Portugal/Simbolos_Nacionais/HinoNacional.htm

Escreve outra versão.


A minha PROPOSTA:

"A Liberdade" (um povo sem formação não é um povo livre).

Heróis do mar, nobre povo,
Nação valente, imortal,
Levantai hoje de novo
O esplendor de Portugal!
Entre as brumas da memória,

Ó Pátria, sente-se a voz
Dos teus egrégios avós,
Que há-de guiar-te à vitória!

E agora a parte em que se faz a ALTERAÇÃO:.

Às aulas, às aulas!
Na Escola e no Trabalho,
Às aulas, às aulas!
Pela Pátria aprender
Contra o atraso estudar, estudar! (*2)


(*2) - ALV - Aprendizagem ao Longo da Vida.

"Toda e qualquer actividade de aprendizagem, empreendida numa base contínua,
com o objectivo de melhorar conhecimentos, aptidões e competências".

Site em http://www.alv.gov.pt


NOTA: "Atletas, espanhóis, querem dar letra ao hino nacional espanhol".

in Jornal Diário de Notícias, 13.6.2007, ou em
http://dn.sapo.pt/2007/06/13/desporto/atletas_querem_letra_hino_nacional_e.html

? Quem mudará primeiro a letra do Hino ? A Espanha ou Portugal ?


Braga ( mas Lisboeta, "A Invasão Mourisca", http://jn.sapo.pt/2007/02/27/opiniao/a_invasao_mourisca.html ) 31.5.2007

JOSÉ DA SILVA MAURÍCIO para os que não gostam de Anónimos.

ANÓNIMO para os que não gostam de armantes.

E para os restantes, J#o? d/ sI&v? Ma+/+u)io (Assinatura ilegível).

mauricio_102@sapo.pt

http://eunaodesisto.blogs.sapo.pt

6:51 PM  
Blogger bernard n. shull said...

hi mate, this is the canadin pharmacy you asked me about: the link

12:50 AM  
Anonymous Anonymous said...

MY pc is at blazing speed and Firefox is super fast and IE CANT Connect!! I tried firewall on and off it does not work, I off antiVirus it does not work. It happened only today and I dont go to any porn sites or games sites my whole entire system is writing on words and yahoo answers How can I make it work again!! And everything is updated smoothly I cant uninstall IE it does not show on Uninstall programmes [url=http://gordoarsnaui.com]santoramaa[/url]

3:13 AM  
Anonymous Anonymous said...

És mesmo um animador de bancada, com espírito pequeno e que, infelizmente, utiliza mal a sua inteligência... ou pior, menospreza a dos outros.

Toma cuidado. Um dia vais ter uma surpresa desagradável... em casa.

11:43 AM  
Anonymous Anonymous said...

http://site.ru - [url=http://site.ru]site[/url] site
site

12:51 AM  
Anonymous Anonymous said...

Basically, the higher your credit score, the greater funding potential from lower fees. Through reaching that goal, you are eligible for 30,000 AAdvantage bonus a long way. There are lots of styles out there, as well as alternative ideas for the metals, engravings, and stones! instant payday loans online In case you neglect to repay a borrowed sum that enable you online purposes, account range can apply with regard to payday loans virtually no credit check!

11:11 AM  
Anonymous Anonymous said...

Similarly the refinancing became more challenging on the other hand fails and real estate foreclosure activities elevated dramatically. The bare minimum profession operating should be greater than 4 in order to 7 years as well as the minimum total annual income need to be one lakh rupees! Leo looked questioningly on Nolan and requested, what is this commitment. instant payday loan The quantity depends upon many of the appear a minimum of 1000 or maybe more.

7:38 PM  
Anonymous Anonymous said...

So in lieu of walking at a steady pace for say an hour, you'll alter issues up by alternating short bursts of extreme strolling for say a minute followed by a recovery period with slower strolling after every single extreme time period. Just hold alternating for twenty minutes to start out and include time when you become a lot more match. You'll be able to use interval training with all phases on thegreen coffee bean extract to enhance
your benefits.

Also when you do any kind of training it is strongly suggested that you simply drink lots of water just before during and after to keep
one's body appropriately hydrated.

2:21 PM  
Anonymous Anonymous said...

So rather than walking at a constant pace for say an hour, you'd transform points up by alternating short bursts of intense walking for say a minute followed by a recovery time period with slower strolling soon after just about every extreme period. Just retain alternating for twenty minutes to start and add time as you become additional match. You can use interval coaching with all phases in theeyeglasses online to enhance your benefits.

Also when you do any type of exercising it's strongly recommended that you just
drink lots of water in advance of throughout and after to maintain your body properly hydrated.

1:16 AM  

Post a Comment

<< Home